democracia e dívida

Sobre as comissões bancárias nos depósitos à ordem

In Noticias on 10/07/2013 at 9:55 am

Duarte Pacheco, o coordenador do PSD na comissão de finanças, acha que "nenhum político pode obrigar qualquer instituição privada a prestar um serviço gratuito aos cidadãos". Isto a propósito da petição da DECO que quer acabar com as comissões cobradas pela manutenção das contas à ordem que os bancos decidiram aumentar mais de 40% nos últimos anos.

Ora,
1) os bancos nao prestam serviços gratuitos ao terem contas à ordem – lucram com isso ao investirem o dinheiro dos depositantes,
2) existem políticas do governo e de várias instituições no sentido de forçar as pessoas a terem pelo menos 1 conta bancária (isto sim, é ilegal),
3) com os problemas de alavancagem que têm, são as pessoas que prestam um serviço aos bancos quando lá colocam o dinheiro e não o contrário. Isto porque os depósitos ajudam-nos a repor os rácios de capital agora exigidos por lei, desregulados que estavam pelo credito excessivo que ofereceram ao longo dos últimos anos.
4) estas comissões, aumentadas desta forma depois da bolha bancária ter rebentado em 2009 e que não oferecem a ninguém qualquer possibilidade de alternativa (porque nos forçam, directa ou indirectamente, a ter ter conta bancária) são na realidade um confisco de dinheiro das contas. Nesse sentido são em tudo semelhantes ao que ocorreu em Chipre com a taxação dos depositos acima de 100 000 euros. Têm no entanto uma agravante. É que as comissões são mais altas sobre as contas que têm menos dinheiro depositado, penalizando por isso as pessoas com menores valores depositados (geralmente as pessoas com menores rendimentos). De facto, um estudo da DECO indica que as comissões penalizam 5 vezes mais as pessoas com baixos rendimentos do que as pessoas com rendimentos elevados. Tudo isto com o intuito de forçar à domiciliação dos ordenados e pensões e fazer entrar mais capital nos bancos!

É muito significativo que um coordenador do PSD na comissão de finanças proteja desta forma o sistema bancário em detrimento dos cidadãos que o elegeram. É muito significativo que o poder político se preste a estes jogos bancários. Mas não é novo. Já em tempos, João Moreira Rato, presidente do IGCP, afirmou que o estado não estava particularmente interessado em vender dívida aos cidadãos porque preferia canalizar as poupanças das pessoas para os bancos.

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