democracia e dívida

Opinião: Pagar com a vida os desmandos da vida dos outros

In Opinião on 05/05/2013 at 10:17 am

O Dinheiro Vivo publica hoje uma infografia com a distribuição dos novos cortes do governo. Nela torna-se claro onde o Governo Português pretende cortar ao longo dos próximos 3 anos. No entanto, mais do que a interpretação e explicação sobre o que o Governo fará, importa reflectir sobre aquilo que o Governo não faz e os sectores que isenta das suas "poupanças".

Conforme amplamente denunciado por activistas das campanhas anti-divida europeias, os actuais cortes promovidos pelos governos europeus são na realidade fruto de decisões de governos neoliberais executadas para fazer face às exigências de credores estrangeiros que não hesitam em sobrecarregar de pobreza e miséria a população a fim de manter os lucros e regalias que alcançaram. São também os cortes necessários à manutenção do actual sistema económico-financeiro, de tal forma grande, corrupto e irresponsável que nenhum político europeu actual ousa fazer cair ou sequer tentar alterar.

No caso português, tal como em quase todos os países, as contas do Estado nunca foram sujeitas a uma verdadeira auditoria cidadã, isto é, ninguém além dos governantes e interesses financeiros sabe efectivamente o que está a ser pago, se precisa de ser pago ou decide como será pago. Dizem que a factura é de todos e mas não se vê combate à corrupção nem instauração de procedimentos criminais a quem lesou o estado; vê-se sim, completa falta de vontade e incapacidade de processar judicialmente os responsáveis acompanhados de incentivos aos grandes grupos económicos. Despedem-se funcionários, encerram-se e privatizam-se serviços ao mesmo tempo que os causadores e mecanismos responsáveis pelo descalabro se mantêm.

Estes cortes mantêm efectivamente os erros em que sucessivos governos envolveram o país, fazendo perdurar no tempo uma geração política que já demonstrou não ter respeito pela palavra "Democracia" e pelo acto de "representar", e mantendo inalterado o poder dos grupos economicos, os acordos com as empresas financeiras, o pagamento de juros e rendas de contratos ruinosos, ilegitimos e por vezes até mesmo criminais, efectuados ao longo dos últimos 40 anos.

Não tem de ser assim. Todos temos os direito de saber o que pagamos e porque pagamos. Todos temos o direito de exigir o pagamento das facturas a quem efectivamente as contraiu. Perante a dimensão da catástrofe social provocada pelos actuais e anteriores cortes é fundamental não pagar nem mais um cêntimo antes de determinar o que é preciso pagar. E porquê! Para que não se pague com a vida os desmandos da vida dos outros.

Neste contexto, é fundamental mobilizar para auditar.

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