democracia e dívida

Opinião: 25 anos para reduzir a dívida?

In Opinião on 01/05/2013 at 5:39 pm

Os modelos económicos assumem a perduração do status quo, isto é, calculam o futuro assumindo a manutenção das condições do presente e do passado recente. E mesmo no caso em que são ponderados vários cenários, os seus resultados acentam sempre num bom ajuste às condições e teorias económicas da actualidade recente e raramente ponderam alterações drásticas que possam ocorrer no futuro.

Saíram hoje a público as notícias de que Portugal demorará 25 anos a ter a dívida abaixo de 60% do PIB e que a taxa de desemprego andará ainda nuns enormes 16,7% em 2017. Estas duas notícias traduzem as previsões apresentadas no Documento de Estratégia Orçamental 2013:2017.

Como resultados de modelos que são estas previsões assumem a manutenção no futuro das dívidas e dos juros do presente e assumem que os níveis de crescimento e a situação económica se continuará a comportar como o actualmente previsto, ignorando futuras crises ou bonanças. Por outro lado, todas estas previsões têm subjacente a manutenção no tempo das condições externas e internas que actualmente determinam a economia nacional e internacional. Entre elas, assumem que não existirão alterações radicais ao nível dos actuais desmandos dos governos, dos actuais níveis de corrupção, dos actuais processos de produção ou de financiamento à economia, bem como a manutenção da estabilidade política das democracias. Assumem também que toda a dívida e juros, incluindo a que sabemos resultante de actividades ilegais ou ilegitimas, serão impecavelmente pagos e que os seus causadores se manterão livres e desresponsabilizados em plena actividade na política e economia. Tal como no passado. Tal como actualmente.

Nestas condições, não será provavelmente de prever mais do uma redução lenta do desemprego ou uma espera 25 anos até que ocorra uma redução percentual da dívida. Existe no entanto uma outra esperança: uma alteração dos níveis de cidadania que provoque uma ruptura para melhor nas condições dos modelos e induza alterações nas políticas económicas e financeiras que remetam para o baú do esquecimento o actual neoliberalismo e funcionamento dos mercados. Uma alteração que pressione no sentido de uma redução da corrupção, da melhoria dos governos e da sua resistência aos interesses económicos, de um aumento da fiscalização e da justiça sobre todas as actividades ilegais e ilegitimas praticadas tanto por agentes públicos como por agentes privados, actividades essas que conduziram à actual crise e aos actuais valores de dívida. No fundo, uma alteração de cidadania que exija conhecer detalhamente todas as facturas, quem as decidiu, porque as decidiu, e com que legimidade e interesse as decidiu. E que recuse pagar, com desemprego ou cortes salariais ao longo de 25 anos, o pagamento de qualquer dívida considerada ilegítima.

No entanto, sobre este cenário os modelos económicos dos actuais governantes e sistema financeiro não falam. Porque será?

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